Censo de Saúde Mental, realizado pela Vittude, mostra que 45% atuam em ambientes de baixa segurança psicológica e que 37,8% da força de trabalho apresenta sofrimento psíquico clínico.
Censo de Saúde Mental, realizado pela Vittude, mostra que 45% atuam em ambientes de baixa segurança psicológica e que 37,8% da força de trabalho apresenta sofrimento psíquico clínico.
Um em cada seis trabalhadores brasileiros afirmou ter sofrido ou presenciado situações de assédio no ambiente de trabalho em 2025. O dado faz parte do Censo de Saúde Mental 2025, estudo realizado pela Vittude com mais de 174 mil respondentes de 35 empresas de grande porte, distribuídas por todas as regiões do país e atuantes em diferentes setores econômicos.
Segundo o levantamento, 17% das pessoas avaliadas relataram episódios de assédio, sendo 72% classificados como assédio moral e 28% como assédio sexual. De acordo com a Vittude, o número tende a ser subestimado: entre 78% e 84% das pessoas que sofreram ou presenciaram essas situações optaram por não denunciar os casos.
“Esse silêncio revela um risco psicossocial profundo, associado à descrença nos canais de denúncia, à fragilidade institucional e à ausência de segurança psicológica mínima para que as pessoas se posicionem sem medo de retaliação”, afirma Tatiana Pimenta, fundadora e CEO da Vittude.
Para consolidar os resultados, o estudo utiliza o IVSM (Índice Vittude de Saúde Mental), indicador que reúne fatores como sofrimento psíquico, burnout, segurança psicológica, ergonomia cognitiva, percepção de assédio e presenteísmo. Em 2025, o IVSM médio foi de 74 pontos, posicionando as empresas avaliadas na zona de atenção, abaixo do índice registrado em 2024, que havia sido de 76.
A segurança psicológica aparece como um dos principais pontos de alerta. O índice médio foi de 67, também na zona de atenção, e 45% dos trabalhadores atuam em ambientes classificados como de baixa segurança psicológica. Segundo o Censo, esse fator está diretamente associado à maior incidência de sofrimento mental, queda na colaboração, piora na qualidade das decisões e redução da capacidade de inovação das organizações.
O levantamento mostra ainda que 37,8% da força de trabalho apresenta sintomas clínicos de sofrimento psíquico, somando quadros moderados e severos. Dentro desse grupo, 14,6% estão em nível severo. Outro dado de destaque é a ideação suicida, relatada por 14,75% dos respondentes. Já a alta propensão ao burnout foi identificada em 5,94% da população avaliada, cerca de 10 mil trabalhadores.
O estudo também analisou o impacto do chamado presenteísmo, quando o colaborador está fisicamente presente, mas com capacidade reduzida de trabalho. O índice médio foi de 32%, o que, segundo a Vittude, indica que as empresas deixam de converter, em média, R$ 32 de cada R$ 100 pagos em salários em produtividade efetiva.
Para Tatiana Pimenta, os dados reforçam que a saúde mental deve ser tratada como uma questão estrutural e estratégica. “O Censo oferece um instrumento alinhado às exigências da NR-1 para identificar riscos psicossociais, orientar medidas de controle e estruturar programas efetivos de promoção da saúde mental. É um chamado à ação fundamentado em dados”, afirma.
O relatório completo está disponível gratuitamente em formato de e-book no site da empresa.
Situações como as relatadas neste conteúdo evidenciam a importância de canais de denúncias estruturados como instrumentos de prevenção e gestão de riscos nas organizações. Em consonância com a atuação da CIPA, as diretrizes da NR-01 e a necessidade de identificação e mitigação dos riscos psicossociais, a Plataforma Escuta Certa oferece um canal de denúncia ético, seguro e acessível, que dá voz às pessoas, garante o anonimato e promove a escuta ativa. Essa solução contribui para a identificação, prevenção e mitigação de problemas como assédio, fraudes, irregularidades e não conformidades, fortalecendo a transparência, governança, compliance e a cultura organizacional.